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Nazarenos voltam de Manaus impactados
O subsídio para sobrevivência das famílias “ribeirinhas” é escasso. Quando não há peixe ou jacaré no almoço, eles se alimentam de farinha, açúcar e água.
Presente de Deus. Esta é frase que saía dos lábios de todos os 14 componentes do grupo de Nazarenos que retornaram de Manaus. Eles estiveram visitando do dia 26 a 29 de fevereiro três comunidades ribeirinhas que vivem às margens do Rio Cuieiras no Amazonas. Esses voluntários levaram para estas comunidades atendimento médico e odontológico. |
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O grupo era composto de profissionais de saúde, como médico, dentista, podóloga e enfermeira e outros profissionais especializados, que cederam cinco dias de suas profissões, gratuitamente, e do aconchego de seus lares, para se dedicarem exclusivamente a esta missão. A equipe viajou de São Paulo a Manaus, de avião, e se deslocaram para as comunidades através de um barco adquirido pela Igreja do Nazareno no Brasil. Algumas destas comunidades são acessíveis somente de avião ou barco. Muitas delas são afastadas da cidade de Manaus cerca de 5 horas de barco, outras, há necessidade de viajar durante um dia todo.
Parceria
O atendimento para estas comunidades foi possível graças à parceria da Igreja do Nazareno de Rio Claro – Tabernáculo da Glória - com a Organização Não Governamental – Asas de Socorro, situada em Manaus, que atua em regiões isoladas do país, em cooperação com outras entidades. O objetivo da ONG é fornecer programas assistenciais e de desenvolvimento comunitário para famílias que residem em locais de difícil acesso em grandes localidades como no rio Amazonas. Todo material utilizado na área odontológica e médica, é cedido pela equipe de Asas de Socorro, inclusive os remédios receitados pelos profissionais de saúde. Além do atendimento na área de saúde, Asas de Socorro também é responsável pela locomoção dos profissionais de Manaus até as comunidades, que trabalham nas chamadas “clínicas Asas de Socorro”, através dos aviões planadores de propriedade da ONG. Asas de Socorro foi fundada em 1964 e a sua base está situada na cidade de Anápolis – Goiás. Possui uma equipe estruturada de missionário, piloto, mecânico, assistente social e outros profissionais, que juntos sobrevoam os rios brasileiros em prol destes povos.
Sobrevivência
Com tanta água... faltar comida? Cadê os peixes? Esta é uma das indagações feitas por visitantes que chegam às comunidades ribeirinhas no Amazonas. Não é tão simples como parece. Para as famílias se locomoverem é necessário barco e não é tão fácil sair para pescar todos os dias, já que é necessário abastecer o transporte e o valor do litro do diesel ou gasolina utilizado é bastante caro. Para uma família que não tem nem o que comer...vai ter R$3,00 para abastecer seu barco? Porque com os barcos a remos eles demorariam um dia para ir de uma comunidade à outra. Muitas vezes o único alimento do dia é quando eles conseguem pescar um “jacarezinho” ou “tatu da água” como eles chamam. Geralmente as famílias são compostas por 10 pessoas, pai, mãe e filhos, então a comida é dividida em porções certas.
Nestas comunidades é aparente a desigualdade das famílias que lutam para sobreviver e das que vão levando como podem. E a diferença entre elas é a certeza que Deus está no comando de tudo. Algumas sobrevivem da plantação de mandioca que são transformadas em farinha e outras da venda de "palitos de churrasco", feitos artesanalmente, um a um, com a madeira encontrada na mata. Vendem 1000 palitos pelo valor irrisório de R$3,50.
As famílias “ribeirinhas” residem em casas de madeira assentadas em terra, casas flutuantes ou em barcos. Algumas comunidades possuem escolas municipais e por incrível que pareça, todas as crianças estudam.
Saúde
Os profissionais de saúde trouxeram da Amazônia uma mala lotada de experiências, algumas tristes, outras alegres, mas alguns fatos bem inusitados. Muitas crianças e jovens com dentes sadios sem mesmo terem tido contato com um dentista, respondiam imediatamente ao chamado do mesmo, inclusive com uma educação fora do comum. Nunca demonstravam medo, confiavam no profissional, chegando a atender 50 pessoas por dia entre adultos e crianças.
Fez parte da equipe de saúde um enfermeiro vindo do Rio de Janeiro e uma enfermeira de Rio Claro e quando questionada sobre o que viu por lá ela não hesitou em comentar: “Casas bem estruturadas, comida na mesa, filhos estudando e com saúde. Esta é a realidade que vivemos aqui, apesar de algumas dificuldades, não é, nem de longe o que se pode observar na vida das pessoas ribeirinhas no interior da Amazônia. Enfrentam muitos problemas, pouca ou nenhuma assistência médica e odontológica e muitas privações. Esta foi a realidade que encontramos ali, às margens do Rio Cuieiras.
A Assistência à saúde é precária, pouco contato com medicamentos e profissionais da área, falta total de saneamento básico. Como não se preocupar com estes que vivem em tão difícil situação? Eu estive lá, e como enfermeira e cristã não posso continuar vivendo como se esta realidade não existisse... Voltaremos em outubro e, quem sabe você também não ajuda a modificar esta realidade!?”.
Retorno
De tudo que foi visto e vivido por esta equipe, algo certamente ficará marcado. As famílias que buscam a Deus e acreditam Nele, estão sobrevivendo bem melhor na Amazônia. É visível a prosperidade em seus lares, a alegria em seus sorrisos e o brilho em seus olhos. Mas é triste ver que muitos ainda não acreditam que dependem de um único Deus para sobreviverem num local tão distante e precário. Famílias desprovidas de qualquer apoio da sociedade vão vivendo dia a dia num modo desumano, mas acreditando que a cada manhã, quando acordam, uma ajuda chegará até eles, seja de avião ou de barco.
Para que não fique apenas na lembrança das fotos, nas histórias contatas e na memória de cada um, a Igreja do Nazareno de Rio Claro já está programando a volta para o mês de outubro. Este grupo estará durante estes próximos oito meses trabalhando no “Projeto Manaus – Pão, Palavra e Prosperidade”, Além de buscar novos componentes para o grupo, campanhas serão criadas para angariar doações e verbas que serão destinadas exclusivamente à Manaus.
Se você quiser de alguma forma contribuir com esta próxima viagem missionária entre em contato com a Igreja do Nazareno no telefone 3524-3072.
O objetivo deste projeto entre amigos é levar subsídios básicos para que estas famílias possam sobreviver no Amazonas e se integrar à sociedade de forma digna e possam conhecer o verdadeiro amor de Cristo. Nós estivemos lá, você também pode estar! |
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| Jornalista Responsável: Alessandra Ramos MTB 37310 |
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