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| Mercado religioso: fabricar hóstia pode dar 300% de lucro |
Antigamente fazer hóstias era trabalhoso. Em geral, a massa era prensada com ferro quente e cortada com tesoura, a mão, uma a uma. Há 20 anos, o marido da empresária Salete Boni recebeu um pedido de um convento para facilitar esse trabalho e criou um equipamento para comprimir a massa e corta a hóstia. “A procura foi grande e hoje nós estamos aqui, graças a Deus, com um mercado grande e tenho o prazer de falar que só nós fazemos máquinas de hóstias no Brasil”, afirma Salete Boni.
Hoje a empresária Salete cuida da empresa junto com a nora Juliana Santana. Elas mal dão conta dos pedidos, que vêm do Brasil e do exterior. “Nós já temos de vários países – Equador, Chile, Paraguai, Argentina – e estamos com propostas para atingir, se Deus quiser, o lado da Colômbia, Santa Fé de Bogotá e vários mosteiros da região”, conta Salete.
A hóstia é feita de farinha de trigo e água. E só. Basta misturar da proporção de um quilo de farinha para um 1,5 litro de água e bater. “É como um mingau, nem muito grosso, nem muito fino. E não pode ter aquelas bolinhas acumuladas”, explica Juliana Santana, empresária.
A hóstia precisa ter duas características: ser fina e ao mesmo tempo resistente e é isso que a máquina faz, com pressão e calor.
Ela tem um termostato que controla a temperatura em aproximadamente 20 graus. E a chave que comprime a massa em torno dos 280 quilos. É só colocar a massa ao centro e comprimir.
Depois é só levantar a pressa, tirar a massa, que firme, pronta para ser manipulada sem quebrar e da espessura de uma folha de papel.
A massa é colocada na estufa para umedecer e ficar ainda mais firme. Em seguida, é só cortar em vários tamanhos. A hóstia dos fiéis tem três centímetros de diâmetro. A dos padres tem 7.8 centímetros.
A máquina de fazer hóstias custa a partir de R$2.800, com capacidade para produzir 30 hóstias pequenas por minutos.
O kit com a máquina, a estufa e dois cortadores manuais custa R$3.500. As máquinas também fazem hóstias com desenhos religiosos.
O lucro do negócio é alto. Segundo as empresárias, para se produzir mil hóstias o custo é de R$2, incluindo a farinha de trigo, mais a energia elétrica e um funcionário. Preço de venda do pacote de hóstias é de R$7 a R$10.
“A matéria-prima é barata, a mão-de-obra é barata e o lucro é em torne de 300%”, diz a empresária.
O mercado religioso é diferente. Tudo funciona à base do conhecimento e da confiança. “Nós temos que conquistá-los com a divulgação, visita, demonstrar nosso produto, acompanhar as máquinas deles. E sobre pagamento a inadimplência é zero”, conta a empresária.
Segundo as empresárias, uma vez conquistado o consumidor, as vendas só aumentam. Quase todas as celebrações religiosas usam hóstias.
Uma igreja consome centenas de unidades por mês. Mas segundo as empresárias, mercado é o que não falta. “Hoje nós sabemos que existe falta de hóstia sim. O consumo é muito grande. Existem muitas fábricas e paróquias que não dão conta. Principalmente os Mosteiros não dão conta”,
"Tem conventos que ligam perguntando se eu tenho hóstia pronta. Aí compro revendo para esses conventos, mas a falta de hóstia ainda é muito grande no Brasil", afirma a empresária.
FONTE: PEGN, 04/01/2009
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